embalos de sábado à noite

Radinho de Pilha
(Namd/Graça Góes)
Fui pra cidade do Rio de Janeiro
Trabalhei o ano inteiro e fiz até serão
A vida de baiano não foi brincadeira
De servente e de pedreiro pra ganhar o pão
Fiz economia, deixei de fumar
Comprei um rádio de pilha e mandei pro meu bem
Fiquei muito revoltado quando regressei
Pois o rádio que eu dei pra ela, ela doou pra alguém
Ela deu o rádio e nem me disse nada ela deu o rádio
Ela deu sim, foi pra fazer pirraça
Mas ela deu de graça o rádio que eu comprei e lhe presenteei
Eu sou honesto sou trabalhador
Mas não gosto de deboche com a minha cara
Não vou enfeitar boneca pro outros brincar
Ninguém vai pintar o sete com este pau- de- arara
Eu não tolero tanto desaforo
Tem mulher que só aprende quando o coro desce
Pra gente ficar empate, eu vou lhe dar uma sova
Pois o rádio que eu comprei, todo mundo já conhece


 

Delhi

Hoje fiz um jantar especial.
Frango ao Curry com Batatas. Ficou ótimo, modéstia à parte. Modéstia à parte mesmo, foi o melhor "carê" que eu comi na minha vida. Como fui retirado do blog comidas, aqui vai a receita, uma compilação/mistura de três ou quatro que encontrei na internet.

1 colher de manteiga sem sal
1 cebola (1/2 cortada em pequenos cubos e 1/2 cortada em meias rodelas, muito finas)
2 colheres de gengibre ralado
2 dentes de alho
2 colheres bem cheias de curry em pó (não use aqueles currys industrializados, do tipo caldo knorr)
500 gr. de frango desossado
1 cenoura média, cortada em rodelas finas
2 batatas médias, cortadas em cubos pequenos
1 maçã verde, cortada em cubos
2 xic de caldo quente de galinha
8 gotas de óleo de pimenta
1 pimenta em conserva, pequena
4 giros de moulin com pimenta do reino (com ralo grosso)
2 colheres de creme de leite

Modo de preparo: aqueça a manteiga e doure junto a cebola em cubos, o gengibre e o alho. Coloque o frango e logo em seguida o curry. Frite o frango e despeje a cenoura. Se precisar, adicione um pouco de óleo. Espere dourar o frango e coloque o caldo, as batatas e a maça verde. Cozinhe bem e note que a batata vai ajudar a engrossar o caldo, junto com o tempo de fogo. Coloque as pimentas e deixe cozinhar até ganhar consistência. Para saber, procure um pedaço de batata e verifique se ele está cozido. Coloque o creme de leite e mexa bem. Sirva com arroz.

PS Caso não goste ou não possa com comidas apimentadas, não use a pimenta. Óbvio mas bem lembrado.


 

enquete fúnebre

Tenho uma mania estranha: agora que não preciso mais ler jornais muito cedo - não sou observador de mídia, nem do mundo nunca fui - gosto de ler os jornais à noite. Sou assinante de três jornais. É um exagero, eu sei. Folha de S. Paulo, Estado de S. Paulo e Jornal da Tarde. Cada um por seus motivos. Melhor: motivos meus. A Folha por causa dos colunistas, deliciosos. O Estado, por conta das críticas, bem escritas. E o JT por causa dos títulos, formidáveis. Mas dificilmente leio os três todos os dias. Ficam intactos. Muitas vezes nem sobem. Morrem ali na portaria.

***

Não sou rico nem néscio, só porque leio jornal à noite.
Experimentem, o espírito leitor é outro: é algo como "vamos ver o que eu não teria ficado sabendo se não tivesse lido o jornal e que absolutamente não faria falta alguma a mim". Quer coisa mais deliciosa que essa afronta aos matutinos (que para mim viraram noturnos?)

***

Hoje eu li a Folha.
Uma chamada na capa cumpriu seu ofício: me chamou. E eu fui, rapidamente.
Morreu Marc-Vivien Foe, jogador de futebol do Camarões. Morreu em campo.
E me lembrou Jorge Mautner:
"Morre-se assim
Como se faz um atchim
E de supetão
Lá vem o rabecão"

***

Foe morreu jogando bola. Possivelmente era o que mais gostava de fazer. Queria morrer como Foe. Rápido e certeiro (entenderam?) e além de tudo fazendo o que gosta.

***

Então vim pensando nisso. Se eu pudesse escolher um momento para a minha morte, o que eu possivelmente estaria fazendo ao dar o último suspiro?

***

E pensei muito.

***

Há muitas coisas que eu gostaria de fazer. Mas sei de uma que eu não gostaria de fazer na hora da morte: trabalhar.

***

Então trombo no contraditório: Foe não estava trabalhando?

***

E me deu um nó na cabeça.

***

Bem, se pudesse escolher queria morrer, nesta ordem, (1) cozinhando (apesar do risco da comida queimar) (2) escrevendo uma crônica secreta (que nunca seria finalizada) (3) ouvindo uma música boa (4) tomando um copo de uísque (5) bebendo uma Coca-Cola.

***

Ah, sim, e, além de trabalhando, não gostaria de morrer passando fio dental. Tem coisa mais chata no mundo do que passar fio dental?

***

E você?


 

forma não difere de vazio / vazio não difere de forma

Nestes dias turbulentos, meu esforço diário tem sido decorar o Prajna Paramita - O Sutra do Coração. Em Sânscrito. Quer saber mais? Clique aqui

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moulin

Acabei de rever "Festa de Babette". E chorei. De novo.


 

barômetro

E neste domingo de um vento frio em São Paulo, revejo "Pontes de Madison".


 

muro

Eu gostaria de escrever uma longa história. Uma história para ser lida em 43 minutos aqui. Uma história de um ponto de ônibus e de uma mulher que se chama Silvinha e tem 200 carteiras de identidade e 200 nomes. De uma mulher que mata as pessoas e come seus fígados mas não mata os bichos porque eles não merecem. De uma mulher que foi sequestrada e esteve em um cativeiro. De uma mulher que foi estuprada. De uma mulher que nasceu na Alemanha. De uma mulher que conheci na noite de sexta-feira 13. De uma mulher que tem também um tênis com silvertape. De uma mulher que tem muitos escravos que pagam para ela. De uma mulher que tem um anjo da meia noite. De uma mulher que caiu quando viu uma macumba. De uma mulher que ri das macumbas com pipoca. De uma mulher que recebe mensagens escritas por formigas. De uma mulher que tem uma tartaruguinha que bate palmas. De uma mulher que tem uma gata que se chama Agatha Christie. Mas não. A linguagem não é suficiente para a verdade.


 

diálogos com Beth I

- Tenho vontade de ir para a Ásia.
- Fazer o que na Ásia?
- Ir para a Ásia. Ficar num mosteiro, estudar alguma coisa, aprender outras.
- Que tal, Rodrigo, você encontrar a Ásia que está dentro de você?
- (...)


 

professorar, ainda

Dia de antes de ontem, fui dar aula. Então uma aluna entrou, esbaforida na sala: "-Professor, o senhor vai fazer chamada?". "sim", respondi, "é a ordem a que eu obedeço". E ela: "Então eu vim mesmo só para ganhar presença. Põe aí. Número tal". "Não vai assistir à minha aula? Estou defendendo alguns aspectos do ataque dos EUA ao Iraque, e...", fui interrompido, "não. não preciso da sua aula. Já passei de ano".
E então, parei a aula, abri o diário, pus a presença e pedi, gentilmente quase aos brados, que a querida aluna fosse para fora da sala de aula.


 

namo.amida.butsu

E depois chorei no curso de budismo também.


 

klenex

Ontem - pela primeira vez na minha vida - chorei na terapia.


 

dias

Ah, sim, os dias. Eles vão indo. E deixemo-los.


 

gentileza

Fico emocionado com atos de delicadeza. Hoje no 702C - Jd. Bonfiglioli - vindo para a FIAM, uma velhina se ofereceu para levar no colo a minha pesada bolsa, com livros, 500 páginas do face lift RIE, mais papelada, mais provas, mais trabalhos de alunos. Eu não deixei, era pesada demais, mas ela achou um lugar entre seus pés. "Se pesa no meu colo, também pesa no seu ombro", me disse. E eu, pensando até chegar, que teria sido mesmo ingrato dar a bolsa tão pesada a ela. E fui mais longe: pensei se a gente não fica dando problemas nossos para os outros carregarem no colo.


 

semelhanças

"Vou/man/dar/b/um/bei/ji/nho - 7
pra/fi/lhi/nha e/pra/vo/vó. - 7
Só/não/po/sso es/que/cer - 6
da minha eguinha pocotó
Pocotó, pocotó, pocotó, pocotó
Minha eguinha pocotó
O jumento e o cavalinho
eles nunca andam só
quando saem pra passear
levam a eguinha pocotó"

x

"Eis a/qui/es/te/sam/bi/nha
feito numa nota só
Outras notas vão entrar
mas a base é uma só"


 

carrinho

Tão feliz, fui ao Mercado Central hoje.
Estava fechado. Deserto.
Então me deu uma tristeza de sem-sardela, sem-pimenta, sem-perguntas, sem-bolinho.de.bacalhau e sem-nada.
Fui a uma feira ali perto.
Tudo custava R$ 1,00.
Mas era tão sem graça que somente trazendo flores - como sempre faço - o domingo começou com um sorriso.


 

google

Os leitores acidentais deste Tolos chegam aqui buscando:
* Rodrigo Manzano
* Mentira no jornalismo
* Namo Amida Butsu
* Crack e Extasy
* Samanta Propaganda
* A Verdade e a Mentira na Filosofia
* Unhas Tortas
* Alberto Caiero
* Porta-Moeda
* Ana Paula Padrão
* Vanessa Manzano
* Menudos
* Mariana Duccini
(Estou bem acompanhado, como vêem)


 

longe

De fato, me afastei deste Tolos. Este tolo que vos escreve, perdeu um tanto da tolice, perdeu um tanto do cabelo, perdeu um tanto da esperança.

***

Vivo uns dias que só são.

***

Eu posso não saber escrever como o mestre Briguet, mas, confesso, imito o jeito dele ao usar os asteriscos.

***

Eu preciso reaprender a contar coisas. Então conto.

***

1) Em cima da minha CPU há várias coisas: três livros (Fluxo-foema, de Hilda Hilst; A Disciplina do Amor, de Lygia Fagundes Telles e Jornalismo e Desinformação, de Leão Serva. Eu sei. O terceiro destoa. Há, ainda, alguns disquetes, minha carteira, o CD de Som Paulo, os trabalhos dos alunos de DP/ADAP, uma gravata nova ainda não usada, o Guia Brasil 4 Rodas e a última revista Imprensa que fechei mas não li ainda)

2) Sou assinante de três jornais mas não leio nenhum.

3) Estou com disenteria.

4) Faço planos inúteis.

5) A Varig vende GRU-NY-GRU por US$ 500.

6) Pensei em virar monge budista, dias desses.

7) As meias coloridas perderam a graça.

8) Luiz Batista é um contador e o telefone dele está grudado em um fake post-it no meu monitor.

9) Hoje senti cheiro de pipoca.

10) Não é vinho que me embriaga.

***

É segredo: acho que estou ficando paranormal.
* Outro dia emprestei minha bengala para uma moça que mora no prédio. E ela desapareceu de vez, com a minha bengala. Andando dias desses por ai, pensei que se machucasse a perna teria que comprar uma bengala. E então encontro a moça na mesma horinha.
* Hoje estava deitado na cama pela manhã quase a tarde e meio-dormindo-meio-acordado. O telefone tocou. Pensei: é Fernando, o meu irmão. E era.
* Outro dia eu vi um telhado pegando fogo. Mas de verdade era de mentira.

***

"Tristeza não tem fim
Felicidade, sim"

***

Desconstrutivismo: quando não tenho nada o que fazer, nada faço. Mas outro dia cheguei a uma conclusão musical muito interessante, que ainda vou arriscar a falar em sala de aula. Que a métrica dos primeiros versos de "Eguinha Pocotó", do MC Serginho, e "Samba de uma nota só", de Tom Jobim, são as mesmas. Tente cantar a segunda na melodia da primeira.

***

Fomos longe demais, não acha?


 
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