O dia do Lucas

Lucas nasceu. Sua mãe é Célia. Seu pai, Luis.
Lucas nasceu e conheceu o mundo.
Seus pais já o conhecem faz tempo. E conhecem o mundo muito melhor que eu. Não têm onde morar. Não têm o que comer. Mas têm um filho, um filho belo. Eu nunca o vi. Mas sei: é belo.
Célia e Luis catavam papel na rua. E pediam. E viviam. Subviviam. Então Lucas foi a promessa, como um salvador. É Lucas, apenas. Não tem sobrenome. Não vai ser registrado enquanto seus pais não tiverem documentos. Lucas, o menino.
Lucas nasceu.

(...)

É verdade.
Lucas nasceu. Sua mãe é soropositiva. Seu pai, idem. E Lucas também. Vivem num canto de um barraco emprestado por uma amiga, a Luciana. Eles não têm televisão e nem podem ver a novela Esperança. E não têm fogão. Nem geladeira. Nem chuveiro quente. Eles não têm nada. Só Lucas, o menino sem sobrenome.

(...)

Isso tudo é verdade.

(...)

- E eu com isso?

(...)

Eu quero que Lucas tenha não só um sobrenome. Quero que tenha comida. Quero que tenha mãe e pai para sempre. Quero que tenha escola. Quero que tenha amigos. Quero que tenha esperança. Quero que tenha a ingenuidade que, uma pena, já perdemos. Quero que tenha brinquedo. Quero que que tenha caderno novo. Quero que tenha namorada (ou namorado, quem sabe?). Quero que tenha paz. Quero que nunca precise vender balas no farol. Quero que tenha um calendário para esperar o dia do aniversário. Quero que tenha aniversário. E bolo. E brigadeiro. Quero que tenha um disco. Quero que tenha um livro. Quero que ouça histórias de fadas e bruxas. Quero que olhe as estrelas. Quero que saiba que mundo pode ser um lugar melhor. Ao menos para ele.

(...)

Não sou somente eu que quero isso. Já somos 16.

(...)

Você também quer isso para o Lucas? Escreva para a Rossana, do Wumanity.

(...)

Porque sabemos que o Lucas vai ser alguém.

(...)

Marque este dia: 30/01/2003.
Lucas nasceu.


 

spfw

Acabei de chegar ao São Paulo Fashion Week. Meu Deus, que merda é essa?


 

...

Porque viver é correr riscos.


 

ira contra deus

Imagine uma mulher crente protestante evangélica pentecostal destas bem tradicionais. Isso. Relembro os esteriótipos: saia abaixo do joelho, perna sem depilar, cabelos compridos e aparentemente sujos. Imaginou? Pois então. Não é que eu acabei de ver uma dessas ali na esquina da 24 de Maio com Ipiranga com um cigarro na boca e fazendo uma tatuagem de rena no tornozelo. Mais revoltada, só se fosse uma tatuagem do diabo.


 

shopping

Eu sempre quis um, desde o primeiro dia que o vi na casa do Chico Viana: um mouse sem fio. Agora eu tenho. E é esquisito.


 

para irritar Gabriela Canale

ou A Mais Pura Verdade

Ano que vem, quem sabe, eu vou cobrir o Fórum Econômico Mundial em Davos, o mais importante encontro político e econômico do Planeta.


 

mesa

É sempre bom estar com Carina Pacolla, ainda mais quando isso significa sair mais cedo do trabalho, descer para o Bar Brahma e dividir mesa com o também jornalista Aureliano Biancarelli, da Folha, dono de um texto e de uma percepção social incrível, embora não tenha tocado no assunto em nenhum momento.


 

programa para a semana



 

carlito.maia

Fizeram um site lindo sobre Carlito Maia e lá está meu depoimento sobre este homem fabuloso, que inventou o Lula-lá, oPTei, e fez uma campanha na Globo em que avisava: neste ano o Corinthians vai ser campeão. E reuniu todos os pequenos times do Brasil que respondiam pela alcunha de “Corinthians de algum lugar” e os colocou para disputar e transmitiu pela TV. No final, é evidente, ganhou o Corinthians. E fez também um campeonato que se chamou Futeboys, com os contínuos (office-boys) das maiores empresas de SP. Eu me arrependo de não ter nascido antes para conhecer Carlito pessoalmente. Conheci somente seu legado. Uma pena. Fiquei emocionado quando o Lula, no discurso de vitória, na Avenida Paulista, fez uma referência a ele, um dos maiores publicitários que o PT pôde ter.


 

LDB - CGH

Sabem quem está em São Paulo e me ligou? Carina Pacolla. Jantaremos juntos hoje.


 

FSM x WEF

Parece ironia do destino: aquela tarjinha de canto da Veja nesta semana diz que Lula é a terceira via. Só para rir.


 

diazepan

Estou tomando os remédios. Nada mal. Até agora não chorei, não fiquei com sono e não estou deprimido. Ontem me queixei: “todas as pessoas a quem falei dos remédios e das dietas me desanimaram. Ninguém disse ´que legal, se precisar de qualquer coisa estou aqui´.”. Então recebi um ombro tão bom, tão querido, que substitui qualquer apoio.


 

deadline

Um prazo que se estende é sempre um grande motivo de alegria. Principalmente no jornalismo.


 

domingos

Hoje eu só fui ver o dia quando era noite.

rolha
Culpa de uma bebedeira homérica ontem, na casa da Dina (não Casa da Dinda, por favor) com a turma da revista. Faltava lá a Mariana, em Porto Alegre, sofrendo com o jornalismo e as esquerdizantes utopias egocêntricas. O plano da noite era bebida, antepastos variados e macarronada de qualidade. Não, eu não iria para a cozinha. Queria descansar, ver as pessoas, conversar. Mas o macarrão nem saiu. Antepastos e bebidas foram suficientes. Inclusive uma garrafa de Arak. Maldita garrafa de Arak que fez E. passar mal. Muito mal.

jornal
Três vômitos depois, voltamos para casa. Quase morremos em um quase-acidente (repare do tom dramático de ressaca) na Consolação com Paulista. Um ônibus, que ia pela faixa errada, achou que tinha velocidade suficiente para me ultrapassar. Digamos que a velocidade era quase-insuficiente. Senti o vento entrando pela janela. Meu coração pulsando. E uma sensação muito bonita de que 800 seres iluminados estavam sentados em cima do capô do carro.


 

são, são paulo meu amor

Hoje é aniversário de São Paulo.
São Paulo é um daqueles lugares que, num quarteirão, eu fico inundado de raiva. Ah, o trânsito, a miséria, a sujeira, os camelôs, o preço, a poça d´água, o vendedor de CDs de funk. Ah, que ódio. E no outro quarteirão, me afogo em uma alegria suprema por ver os camelôs, o reflexo do céu na poça d´água, um vendedor de CDs cantando, uma promoção muito barata, um mendingo de terno e gravata.
Adoro São Paulo. São Paulo, my love.


 

banana

Fui ao Mercado Municipal. Ah, o Mercado Municipal.


 

palavras, palavras

Eu tenho um martírio diário, um belo martírio: escrever. E tenho também um desafio, desafio doce desses que a gente gosta: escrever simples e bonito. Então, toda a vez que estou sendo ilumindo não por Deus mas pela luz azul do monitor do PC, vou pescando palavras, assim como meu pai também pesca. Ele, lambaris, eu, vernáculos que nem merecem este nome, tão simples, despojados, errantes e vagabundos são.
Gosto de escrever.
Acho que nós, jornalistas (e acrescento: com ou sem diploma), temos uma profissão deliciosa e somos pagos, imagine, por uma coisa que nem é nossa. Que delícia.


 

para.nóia

Eu não queria ficar paranóico com a minha dieta. Mas o fato é que eu engordei demais depois que mudei para São Paulo. Neste tempo todo, só emagreci no México, um país de belas vistas e comida horrível.
Ontem na médica, fui contando que quando morei em Londrina até emagreci e fiquei com um peso ideal e blá.blá.blá. Aí ela perguntou porque eu teria emagrecido em Londrina. Como viu que fiquei enrolando para responder, logo disse: ah, era uma república? Então foi falta de comida. Fiquei meio sem-graça, porque podia faltar de tudo, menos comida. Acho que não era falta de comida. Era excesso de felicidade. Essa porra de emprego daqui é foda.
Então. Não estou preocupado esteticamente. Alíás, para quem já quis trabalhar de bermuda e chinelo, estética não deve ser uma preocupação. Estou preocupado porque, outro dia, no Espaço Unibanco, não consegui subir as escadas de dores no tornozelo e não quero usar bengala permanentente. Tá bom, tá bom. Estou preocupado com estética também.
O fato é que não quero ficar paranóico. Mas, Grande Samambaia, como não ficar paranóico. A mulher sacou da gaveta, rapidamente, uma lista com três páginas de alimentos e suas respectivas calorias. Disse que os remédios podem causar dependência, não devem ser associados a álcool, e que iria acrescentar mais uma fórmula para que eu não ficasse “muito” deprimido. Como não ficar deprimido se no sábado passado eu comprei, no supermercado, uma caixa “daquelas” bem grandes de sucrilhos. 720 gr. O que vou fazer com ela? Servir para as visitas? Todo mundo serve um uisquizinho, uma cerveja, pistache. Vou perguntar: “quer sucrilhos?”. Então ontem, antes da meia noite, comi uma barra de chocolate. Com uma devoção nunca vista antes. Na verdade, tem até chocolate na lista. Mas dois Bis equivalem a uma refeição completa. Melhor esquecê-los.


 

balança

Hoje fui na endocrinologista.
Vou fazer dieta. 1200 cal por dia.
Vou tomar comprimidos proibidos. Receita azul.
Quero emagrecer 34 kg.


 

lyrics

Bem que dizem por aí que a infância é o paraíso perdido.

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trem.da.vida

Estava ansioso para escrever aqui. Ontem vi um dos filmes mais geniais sobre a segunda guerra a que assisti em toda a minha vida. Chama-se “Trem da Vida”, dirigido e roteirizado por Radu Mihaileanu. Saí mais cedo da revista, passei na banca e comprei esse DVD. O filme passou que nem vi. A trilha sonora é incrível. A história - embora com a mesma veia cômica de “A Vida é Bela” (acusam, inclusive, o Begnini de plágio) - é muito melhor. Mas não é isso que quero escrever hoje. Quero escrever que, por quê diabos alguém se interessaria em saber que saí mais cedo do emprego e fui assistir a um filme que eu julgo o melhor sobre a segunda guerra. Essa coisa de blog está me enchendo o saco.


 

amado Jorge Amado

Leiam estes textos inéditos de Jorge Amado:
Do desespero de Hamalah pela morena Joana
Coronel Antunes tentava desviar os olhos de Joana, mas era difícil não reparar na maneira bela com que a moça preparava o acarajé. Enquanto Joana acariciava a cebola, o coronel só conseguia pensar em ter a bunda da cabrita em sua boca. Hamalah fingia não perceber o louvor do homem mais poderoso da cidade. Desafiar o dono da Fazenda Santa Clara? Só com muita justeza e proteção de Oxóssi, melhor aquietar a cabeça e manter aquele desespero guardado junto com a espada.
- O que você vai fazer?
A voz de Joana quebrou o silêncio tenso do ambiente. Mas por pouco tempo. Ela sabia que não teria respostas. Não era sua voz, mas seu par de coxas que chamava a atenção daqueles dois. Ela não valia mais do que um saco. Melhor esquecer. Melhor nem cair. Voltou a acariciar a cebola.”

+

De quando Oxóssi novamente escutou Joana
A lavoura de cacau pedia trégua. A fazenda Santa Clara já não agüentava mais tanta devastação e pedia clemência da vassoura de bruxa. Da mesma forma que a cidade inteira pedia alguma solução. Enquanto coronel Antunes especulava na capital alguma forma lucrativa de negociar a venda da sua propriedade, Joana apelava para que Oxóssi mandasse embora aquela maldição. Com os homens sem dinheiro, ela e suas cabritas não tinham futuro. O louvor estava sendo substituido pelo desânimo. As carolas seriam as únicas felizes, porque só elas dão valor para a tristeza.
Até o paciente Hamalah foi visto chutando um saco e gritando para a poeira que se levantava na frente da venda:
- O que você vai fazer?
O cabra tinha enlouquecido. Não havia mais o cheiro de acarajé saindo das janelas. A praga extinguiu também a possibilidade de possuir cebola nas despensas. Não havia lugar nem mais para o desespero. Foi assim até o dia em que viram Joana cair. Era o sinal. Sempre que Oxóssi a ouvia, isso se repetia. Dito e feito. Em um mês a praga abandonava a cidade, a fazenda Santa Clara e os pesadelos de Joana, que - depois de ser ouvida -, resolveu toda noite em total louvor, dançar e exibir sua bela bunda na frente da igreja, sem ligar para a oculta ameaça de uma espada.”

+

Da primeira vez que a bunda de Joana encontrou as mãos de Hamalah
Hamalah não agüentava mais as provocações de Joana. A mulher do Coronel Antunes todo dia arrumava uma desculpa para aparecer no armarinho. Sempre com a saia curta e o louvor menor ainda. Falava do marasmo de viver na fazenda Santa Clara, dos suores noturnos, do desespero estancado em seu coração. O turco tentava mudar de assunto.
- O que você vai fazer?
Mas quem disse que adiantava? A mulher sempre arrumava um jeito de voltar ao ataque. Usava técnicas de baixeza inomináveis. Chegou até a preparar um prato de acarajé (inegável afrodisíaco), ainda caprichado na cebola , só para Hamalah não ter como recusar o agrado.
Orientado pela negra Juventina, o dono da armarinho resolveu a fazer um despacho para Oxóssi, na tentativa de se livrar da fazendeira e da perspectiva de ser atravessado por uma espada. Até cair o turco fez, para ver se passava por louco e espantava a insistente. Mas ela tinha o corpo fechado para despacho e aberto para teimosia. Num dia de calor retado, Joana entrou no armarinho com a desculpa de comprar um saco. Hamalah não tinha saco a venda. Nem como resistir à bunda de Joana exposta daquela forma bela. Danou-se.”

Qualquer um pode ser Jorge Amado. Com a ajuda do gerador de textos do Mundo Perfeito, sim.


 

garfield

As vezes fico pensando: as segundas-feiras conseguem ser tão cruéis.


 

tênis

Hoje eu iria fazer uma caminhada no Ibirapuera com um jornalista amigo meu e depois iríamos almoçar. Tentaria pleitear um novo emprego aqui ou ali. O encontro estava marcado para as onze horas. Depois de uma hora e meia de espera, telefonemas e cansaço, o filho dele resolveu atender ao telefone.
- Alex? Aqui é o Manzano. Seu pai taí?
- Não tá não, Rodrigo, ele deu uma saidinha e volta mais tarde.
- Puxa, nós marcamos um encontro e penso que ele esqueceu. Ele veio para cá?
- Não, ele está no Rio de Janeiro.
Aí eu não entendi nada. Tudo bem que entre Vasp, Varig, Gol e TAM tem vôo de 5 em 5 minutos para o RJ. Mas daí para visitar o Corcovado ser uma “saidinha” é eufemismo demais para a minha pobre cabeça (e pernas) cansadas.


 

super.marcado

Preciso ir ao supermercado. Até gosto de fazer compras para casa, mas péssimo mesmo é carregar a compra, subir até o apartamento, guardar as coisas no armário e pagar. A minha despensa é a prova da qualidade de vida que levo: arroz, feijão, farinhas e afins estão todos lá. Passa prazo de validade e vai tudo para o lixo (e o Fome Zero ali, bem no meu nariz...). Mas biscoito, leite, waffer, sucrilhos, amendoim, e as tranqueiras que fazem tão bem para a saúde acabam na primeira semana.
Não, eu não tenho desculpa para almoaçar em self-service (cê-se-serve-se) todos os dias. Moro perto da revista, sei e gosto de cozinhar e não me incomodo nem um pouco com isso. Mas todo os dias vou comer aquelas refeições impessoais nos restaurantes por quilo. Em 2003 não fiz promessas de ano-novo, mas se tivesse feito alguma, possivelmente seria almoçar mais em casa, parar de pedir delivery e nunca mais deixar comida ir para o lixo por conta de prazo de validade.
Mas, enfim, gosto de fazer compras mas não de ir ao supermercado. E o dilema é Extra ou Barateiro?


 

sushi

Resolvi pedir sushi, sashimi e tempurá delivery. Flying Sushi. Enquanto esperava a entrega, liguei para Fabiana, de Tupã. Portanto, o telefone estava ocupado. E o entregador lá embaixo, na portaria, não sabia o procedimento com o interfone. Não conseguia subir. Assim que desliguei, o telefone tocou. Era ele.
- Porra, essa merda de telefone não funciona?
- (hum?)
- Abre essa porta. Tô a maior cara esperando pra entrar.
- É só apertar #200 e pedir para o porteiro. Mas eu abro aqui para você.

(5 minutos depois)

- Porra, mano, que merda é essa?
- Era só ler as instruções ao lado do interfone.
- Esperei um tempão, mano.

Resumo: levei um sabão do entregador de sushi.

(...)

Então, minha primeira vontade, foi ligar para o restaurante e reclamar. Imagine, levei uma bronca do entregador. Que mal educado, que arrogante esse entregador que não sabe sequer usar interfone. Olha, não dá para conquistar clientes assim. Mas não, preferi comer a refeição primeiro. E pensar.

(...)

E pensei.

(...)

E resolvi não ligar.

(...)

Que coisa egoísta. Eu levo bronca de tanta gente, que fala grosso comigo, que me chama de incompetente, que desdenha o meu trabalho, que não pode esperar 5 minutos. Que é chefia. Que é mais rico. Que é mais inteligente. Que é mais bonito. Para que reproduzir a cadeia, não?

(...)

Moral: sushi faz bem para a consciência.


 

...









 

lumière

Acabei de voltar do cinema. Fui ver “Amores Parisienses” com Catarina. Sabe aquele filme que, se contextualizado, seria uma comédia daquelas de fazer xixi na calça? Pois é. Faltou morar na França. Só isso.
Mas o filme é muito bom. De Alain Resnais.


 

...

Eu não gosto de tomar decisões.


 

zzzz

Dormir, que é bom.


 

clave.de.sol

Gostaram da nova logomarca e slogan do Tolos?


 

check in

A revista vai publicar uma edição extra sobre o Fórum Social Mundial de Porto Alegre e o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. Catarina e Pedro vão ao RS. Adivinhe para onde vou?

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sometimes

De verdade, sem falsa humildade: às vezes leio alguma coisa que escrevo e penso “puta que o pariu, como você escreve bem”.
De verdade, sem falsa humildade: às vezes leio alguma coisa que escrevo e penso “puta que o pariu, vai escrever mal assim no inferno”.
É a vida.


 

abstinência

Estou viciado nisso.


 

bbb

Vai começar - de novo e pela terceira vez - esse inferno de Big Brother Brasil.
Neste momento, de verdade, me dá vontade de cancelar as assinaturas da Folha de S. Paulo, do Estadão e de tudo que tenha coragem de colocar esse assunto na capa.


 

folia.de.reis

Você quer ver as fotos que fiz em Santana de Parnaíba? Então clique aqui.


 

spam

Você está com problemas para se formar? Quer o título em mais um curso universitário? Título de Mestre, Doutor, PhD? Um curso em MBA? Eis a solução!

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...

O mio babbino caro,
mi piace è bello, bello;
vo'andare in Porta Rossa
a comperar l'anello!
Sì, sì, ci voglio andare!
e se l'amassi indarno,
andrei sul Ponte Vecchio,
ma per buttarmi in Arno!
Mi struggo e mi tormento!
O Dio, vorrei morir!
Babbo, pietà, pietà!
Babbo, pietà, pietà!


 

trilha para fim de férias

Estou ouvindo “Oh mio babbino caro”, de Puccini. A aria mais linda de toda a história da música clássica. É uma boa música para espantar fantasmas de fim de férias. Para acabar com a depressão pré-trabalho. Para jogar fora as cobras internas, as lombrigas, os vírus do desânimo. E para fazer chorar um choro bonito. E também para curar aquela nostalgia de quem deixa a casa da vó para voltar à escola em fevereiro.


 

elástico

I
Fagundes
Gosta de roer as unhas, de amendoim japonês e de dry Martini. Não nessa ordem.
Tem 53 anos e gosta também de meninos. Mas esconde.

II
Túlio

Todas as noites, chora por um antigo amor. Tem xodó por um antigo e sujo travesseiro.
Sua maior fantasia sexual é ser amado. Mas disfarça.

III
Ceci


Também poderia se chamar Cândida ou Charlotte. Não importa. Sua vida é só sofrimento.
Está bem. Exagerei.

***

Gosta de Chicabon, pão francês e leite B. Não sai da padaria.
Gosta também de homens de pau grande. Não omite.

IV

Heterossexual, comunista, machista e mal-caráter.
Não gosta muito de tomar banho. E isso não há como disfarçar.


 

ouvido.não.tem.pálpebras

Ah, que delícia é essa insônia com trilha sonora de Fabuloso Destino de Amelie Poulain. Ah, que delícia.

livros
Sabe o que fiz o dia todo? Fiquei arrumando os livros em duas estantes novas no escritório do apê. Todos os meus livros ficavam na sala, em uma estante, no chão, e espalhados pela casa toda. Então ontem a Socorro juntou tudo neste quarto. Hoje chegaram as estantes. E hoje também chegou uma memória muito boa dos tempos de faculdade. Desde que vim de Londrina para SP, não havia desencaixotado os papéis. Textos da faculdade, bilhetes, provas, trabalhos, mais textos, anotações. Bilhetes vai-e-vem com Luciana Teshima e Francisca. Jornal Laboratório, impressões para teste, fotografias feitas no primeiro ano, bilhetes de alunos de cursinho. Ah, o passado.

basura
Mas muita coisa também foi para o lixo.
Que triste.
Eu me sentia como um juiz da papelada.
O que guardar?
O que jogar?
Moraes ficava horrorizado com a minha capacidade de guardar papéis velhos. Até uma coleção completa da revista Veja de dois anos guardei. Ele não entendia.
Essas manias até tem vantagens. Ah, tem sim.
Quando descobrir, conto.
Mas tem vantagens.


 

boa idéia

já sei. vou começar a escrever o meu romance.


 

alguém sabe

um lugar para esconder a insônia bem escondida?


 

...

Essa Avril Lavigne não é uma gracinha? Queria que ela fosse minha sobrinha.


 

da janela, lateral II



 

brega é cult

A revista Bravo (assinatura presente da Catarina) chegou hoje. E não é que tem um texto formidável sobre os cantores bregas brasileiros? Ótimo texto de Marco Frenette. Veja só um texto:
“Difícil dizer, tmabém, qual letra merece o adjetivo de ”brega“, se esta de Perla: ”Pequenina, meu amor / vem correndo para os meu braços / guardo para você os mais caros lindos sonhos“; ou esta da bossa-nova: ”Existem praias tão lindas, cheias de luz / téu céu tão lindo / tuas sereias / sempre sorrindo“. Somos inclinados a ver genialidade ou primariedade nas coisas de acordo com o status de seus portadores. Naturalmente, não significa dizer que o brega iguala-se musicalmente à bosa-nova, mas apenas que pode haver uma certa covardia moral nos julgamentos estéticos e culturais correntes.”
Pode até ser difícil defender essa idéia em uma mesa de bar, mas quem tem o dom - como o Frenette - tem.
Palavra da salvação.
Graças a Perla.


 

matinê

Acabei de voltar do cinema: “O Grande Ditador” e “Betty Fischer e outras histórias”.

PS Por que os franceses estão gostando tanto de segmentar suas histórias e legendar, assim: “Três meses depois” ou “A História de José”. Hã?


 

...

voltei


 

...



 

anda meio esquecido, mas é o dia da festa de santo reis

Tim Maia já havia avisado: “Hoje é dia de Santo Reis / Anda meio esquisito / Mas é o dia da festa do Santo Reis / Hoje é o dia do Santo Reis / Anda meio esquecido mas é dia da festa do Santo Reis / Eles chegam tocando sanfona e violão / E os pandeiros de fitas carregam sempre na mão / Eles vão levando / Levando que podem / Se deixar com eles / Eles levam até os bodes”
Pois é. Se você tem árvore de natal, presépio e coisas afins, hoje é o dia de desmontá-los. Mas não só. É o dia de Santo Reis.
Quando eu era pequeno, tinha um medo de dar dó dos Santo Reis. Uma vez, até saí gritando em disparada porque um grupo deles cantava na porta de casa. Mas hoje não. Não só perdi o medo como os admiro muito. Então vou atrás da Folia de Santo Reis. Em Santana de Parnaíba, na Grande São Paulo.

paráfrase
Você já foi a Santana? Então vá!


 

namo.amida.butsu

Ei ia no templo amanhã. Ia sim. Se eu conseguisse dormir para acordar às seis horas da manhã.


 

a última que morre

Eu não posso participar de concursos. Vale qualquer coisa. Desde aqueles que a gente enviava tampa de margarina, embalagem de chocolate, caixa de pasta de dente e código de barras de qualquer coisa. Não que eu tenha participado muito (gosto de ser solidário, aliás, se sei de alguém que está mandando cartas para algum deles, mudo meus hábitos de consumo e passo a colaborar com o concorrente...). Mas quando participo, fico meio eufórico esperando o resultado. O último que participei foi um para clientes do Unibanco. Era para criar uma frase genial respondendo à pergunta “Por que você quer ganhar um carro?”. O prêmio, como se vê, era um carro. Um Ford Fiesta novinho. Eu quero um carro. E acho que sou bom de frases. Então participei. Mas não ganhei.
O site do banco, diz hoje:

“O ganhador do Concurso Cultural e-mail Premiado foi Marco Antonio Siqueira do Nascimento, da agência Coxipó, de Cuiabá, Mato Grosso.
O ganhador levou o Fordfiesta 0km para casa com a frase escolhida por Washington Olivetto:
”Como cliente Unibanco, quero fazer uma boa ação social definitiva: cedendo meu lugar no ônibus lotado para clientes de outros bancos que não podem participar desta promoção. Tenho fé.“
Viu como foi fácil?
Ele usou a criatividade e ganhou do Unibanco seu Fordfiesta 0km por e-mail!”

A minha frase, eu sei, era muito melhor. Afinal, o que esperar de alguma coisa julgada por W/O. Corinthiano que é. E publicitário.


 

o que elas têm em comum?

Essas são minhas bandas favoritas, sem ordem de preferência:

Belle and Sebastian


The Cranberries


Pato Fu

...
É, eu sei. Ninguém perguntou.


 

...

ah, sábados. inúteis.


 

quem disse que cigarro mata?

Na saída da Pinacoteca, Estação da Luz, São Paulo:
- Ei, brother.
- Diga.
- Na educação e sinceridade, que você não tem cara de bobo. Acabei de sair da cadeia, fiquei cinco anos, meu cunhado é assassino, e estou pedindo uma ajuda para comer.
- Não tenho. Só tenho o meu bilhete de metrô.
- Um real, qualquer coisa.
- Não posso lhe dar.
- Dez centavos, então.
- (...)
- Você não vai querer morrer por mixaria.
- (...) [assustado, com taquicardia, procurando onde o homem escondia uma arma qualquer e pensando “que fim trágico, saiu do museu e morreu”].
- Vai querer morrer?
- Não serve um cigarro?
- Serve.
- Quantos?
- Um só. Valeu.
Então continuamos.


 

black&decker

A pior coisa da decisão de sair para dar uma volta em uma tarde descomprometida com horários, textos, fechamentos é passar a roupa. Prefiro mil vezes transcrever uma entrevista inteira de três fitas e meia com um entrevistado gago.

pinacoteca
Mas a decisão é real: vou ao museu. Ver Aleijadinho, talvez, na Pinacoteca do Estado. E quem sabe depois assistir ao “Grande Ditador”, de Chaplin.


 

promessa tipológica para o ano novo

Prometo que, neste ano e a partir de agora, vou responder a todos os e-mails pessoais que me chegarem.
Palavra da salvação.
Graças a deus.


 

desatento, não

Só eu mesmo tenho a capacidade de fazer essas coisas. Fiquei com isso martelando na cabeça, até que resolvi contar aqui no blog. Tupã. Rodoviária Municipal. Banca de revistas. Entrei, indeciso sobre o que ler nas quatro horas de viagem que me separavam de Londrina. Escolhi uma revista de Arte. “Arte e Informação”. A capa falava sobre futurismo e havia uma matéria longa sobre curadoria de arte. R$ 6,00. Comprei e saí feliz com a inteligente aquisição. Eu disse inteligente? Só depois de ler metade da revista fui perceber que era de agosto de 2000. Sim. A menina já havia completado dois anos e três meses. Foi lançada na época da Mostra Brasil +500. Isso é que é jornalismo perene. E isso é que sou: um leitor bastante desatento.


 

...


2003

entre sem bater*

*por favor, seja bem educado não bata em mim, nem em ninguém.



 
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