tolos devaneios tolos, II

lambuja

Quando eu era aluno, fiquei uma ou duas vezes de exame. Hoje, como professor, fico de exame no final de cada semestre, e acho inconcebível que alunos tenham tanta opção para passar. Não, antes que me chamem de Pinochet, não sou contra as reavaliações e as segundas chances. Sou contra esse modelo de avaliação que acaba privilegiando a vagabundagem, a vadiagem e a burrice. Não é possível que eu tenha alunos super esforçados, que vêm a todas as aulas, prestam atenção, fazem perguntas, entregam trabalhos, demonstram esforço bonito em aprender que ficam, depois de tantas chances dadas aos vagabundos, com as mesmas notas. Um dos alunos meus que está de exame é um burguesinho metido que sempre aparecia na minha aula lá pelas 10h30 (sendo que o horário é 7h30!), entrava na sala como se estivesse absolutamente pontual, e depois vinha me dizer que chegava atrasado porque tem uma banda de reggae e tocava não-sei-onde e que tinha fumado todos na noite anterior. O meu grande esforço - é verdade! - tem sido conciliar o desejo de ser moderno, progressista, tolerante e brando com a necessidade de mandar todo esse bando de vagabundo capinar data e valorizar o dinheiro dos pais deles. Acho que vou para terapia.

Publicado em 18 de dezembro de 2002 às 09:01 por manzano

Comentários

    • Concordo plenamente com você... Como aluna, eu me sinto muito prejudicada pelos vagabundos, que vão passando assim facilmente e eu sou obrigada a trabalhar (estudar) com eles... O que mais me irrita é a proposta da faculdade, colocada no começo do ano, de rigidez. E como uma aluna revoltada, já falei sobre isso para vários professores, citando os nomes dos vagabundos de plantão... os boyzinhos... e pensa que adiantou? xé...
    • por Renata
    • 18.Dez.2002 às 10:19 - Permalink - Reportar
    Renata
    • Pois é Manzano! Você mesmo assistia a todas as aulas de todas as matérias? Você saia e entrava na sala de aula quando bem entendia? Chegava atrasado? Eu não (primeira pergunta) e pelo que me lembro você também. Eu sim (para as outras duas perguntas) e pelo que me lembro, você também. Para resolver a questão, seja como a Flávia, que não aceitava nada atrasado sem descontar pontos, mesmo quando o atraso era motivado pelo excessivo número de trabalhos e compromissos de suas matérias, esquecendo que os outros professores também exigiam e que o nosso curso, por ter sido à noite, era frequëntado por muita gente que trabalhava durante o dia. O fato de termos sido iguais (em determinados pontos) a estes seus alunos folgados não quer dizer que estamos impedidos de agir diferente do que agiram com a gente (com complacência, exceto a Flávia). Afinal, você mesmo não disse que ficou de exames em umas matérias. Certamente não foi por ter ralado tanto nos estudos, na freqüência e assiduidade. Faça como ela fazia, ou então durma com um barulho destes!
    • por silvio
    • 18.Dez.2002 às 11:54 - Permalink - Reportar
    silvio
    • fico com a opção “seja como a Flávia Bespalhok”.
    • por manzano
    • 18.Dez.2002 às 12:29 - Permalink - Reportar
    manzano
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