Quando eu era aluno, fiquei uma ou duas vezes de exame. Hoje, como professor, fico de exame no final de cada semestre, e acho inconcebível que alunos tenham tanta opção para passar. Não, antes que me chamem de Pinochet, não sou contra as reavaliações e as segundas chances. Sou contra esse modelo de avaliação que acaba privilegiando a vagabundagem, a vadiagem e a burrice. Não é possível que eu tenha alunos super esforçados, que vêm a todas as aulas, prestam atenção, fazem perguntas, entregam trabalhos, demonstram esforço bonito em aprender que ficam, depois de tantas chances dadas aos vagabundos, com as mesmas notas. Um dos alunos meus que está de exame é um burguesinho metido que sempre aparecia na minha aula lá pelas 10h30 (sendo que o horário é 7h30!), entrava na sala como se estivesse absolutamente pontual, e depois vinha me dizer que chegava atrasado porque tem uma banda de reggae e tocava não-sei-onde e que tinha fumado todos na noite anterior. O meu grande esforço - é verdade! - tem sido conciliar o desejo de ser moderno, progressista, tolerante e brando com a necessidade de mandar todo esse bando de vagabundo capinar data e valorizar o dinheiro dos pais deles. Acho que vou para terapia.
Publicado em 18 de dezembro de 2002 às 09:01 por manzano