tolos devaneios tolos, II

veja se vocês gostam

Subvertei-vos a Cristo


Seu verdadeiro nome, Carlos Alberto Libânio Christo, mantém apenas uma relação com o ofício. O nome do salvador cristão. Assim como a do próprio Cristo, a trajetória de vida de Frei Betto confunde-se com os desejos e lutas populares de seu tempo. E da mesma forma que o Prometido dos Hebreus, Betto não teve medo de tomar partido. Quase literalmente, já que representa um dos principais articuladores do Partido dos Trabalhadores, que, pela primeira vez, chega ao poder.

Frei Betto, ao contrário das figuras clericais oferecidas pela História e pela literatura como maldosamente oportunistas nas relações com o poder político, não perseguiu, exatamente, o poder. Ao menos, não para si. Foi no trabalho com as bases que fundamentou sua profissão de fé, o que lhe rendeu, inclusive, episódios absolutamente dolorosos, como o período de prisão e tortura durante o regime militar. Não havia como escapar. Se, por um lado, seu pensamento calcado na Teologia da Libertação poderia colocá-lo em risco, por outro, a atividade jornalística – que ele exerceu, chegando, inclusive, a chefe de reportagem da extinta Folha da Tarde – facilitava o trânsito, a compreensão e informações privilegiadas daquele contexto.

Hoje, Frei Betto ainda dedica grande parte do seu tempo para os movimentos populares, dividindo-o com a literatura. É pai de mais de quarenta livros, entre obras individuais e coletivas, ficção ou ensaios. Se pudesse, Frei Betto não faria outra coisa. É um viciado nas palavras. E na oração. “As duas coisas que mais gosto de fazer são orar e escrever, e pretendo fazer melhor as duas coisas”, compromete-se.

Agora que Lula chega ao poder, Frei Betto se posiciona no quadro político como um importante nome da articulação entre os segmentos mais marginalizados da sociedade – para quem a Igreja Católica habitualmente presta assistência através das Pastorais – e o PT, que, depois de 20 anos de luta política, atinge a posição de status quo. A paciência e as habilidades de um bom mediador, o frei dominicano já pôde exercitar quando foi um dos responsáveis pela abertura de Fidel Castro à atuação religiosa em Cuba.

Ao dar esta entrevista a Mariana Duccini, Pedro Venceslau, Sinval de Itacarambi Leão, Rodrigo Manzano e Catarina Ferraz, Frei Betto assumiu um compromisso: que, caso o PT seja conivente com algum tipo de corrupção nas esferas do poder, retira seu apoio, lembrando-se do lema com o qual atuava na militância nos anos 60: “o revolucionário pode perder tudo, o emprego, a vida, a família, o dinheiro. Menos a moral”.

Palavra da Salvação.


(PS. Finalmente usei em algum lugar a frase que gosto de usar, descontextualizada, aqui no blog. Faltou só o 'graças a deus')

Publicado em 26 de novembro de 2002 às 18:13 por manzano

Comentários

    • Um Manzano legítimo, safra 2002.
    • por Jules Briguet
    • 27.Nov.2002 às 09:06 - Permalink - Reportar
    Jules Briguet
    • Nossa quero conhecer o Frei Betto!
    • por LVA
    • 27.Nov.2002 às 13:01 - Permalink - Reportar
    LVA
  1. Sis...
    • Com um texto desses e você ainda se preocupa em ficar sem emprego? Francamente...
    • por Julia
    • 27.Nov.2002 às 15:22 - Permalink - Reportar
    Julia
    • Verdade, Julia...FRANCAMENTE!!!
    • por Rosana
    • 27.Nov.2002 às 15:45 - Permalink - Reportar
    Rosana
    • faço minhas as palavras da minha xará!!
    • por juca
    • 27.Nov.2002 às 18:23 - Permalink - Reportar
    juca
    • faço minhas as palavras da minha xará!!
    • por juca
    • 27.Nov.2002 às 18:23 - Permalink - Reportar
    juca
    • parece profecia! o PT foi (e é!) conivente com "algum" tipo de corrupção nas esferas do poder...
    • por zero
    • 08.Nov.2007 às 16:13 - Permalink - Reportar
    zero
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